Você acordou e, ao olhar no espelho, percebe que está invisível



Foto: Mademoiselle Loves Books


Ela sabia que era difícil, apenas ela entendia como aquilo doía. Amizades falsas, as que se afastam as que estão quando você precisa, não estão lá.
Mas ela sabia, porque doía.

E ninguém mais irá entender o quanto é difícil ser invisível, não ser aceita, ser dilacerada por dentro com palavras cruéis, por isso ela estava invisível. Acordou numa segunda feira sem disposição para enfrentar o mundo, arrastou seus pés para o banheiro e ao se olhar no espelho, percebeu que aquela garota alegre já não existia, estava invisível.

Tomou um banho curto, penteou seu cabelo e chorou, chorou baixinho para ninguém escutar, para não ter quer dar explicação, respirou fundo e disse para si mesma que a noite logo chegaria e então poderia voltar para a cama.
Já não sabia o que estava mais bagunçada, sua vida, seu coração, sua família ou sua alma. Todo tem problemas, certo? Mas porque ela deveria continuar ajudando aos outros se ninguém se interessava a ajuda-la?  

Dos processos da escrita


Escrever é um processo solitário.
olho pra mim mesmo com aspereza e tiro o que de pior há sobre a maneira
como permito escorrer,
nas relações afetivas ou amorosas,
no cotidiano brusco e na queda fatal.
Debruçar-se nos fatos, tarde da noite, virou rotina.
Já não durmo como antes, não sei se algum dia dormi.
não lembro da paz invadindo meus brônquios.
Semana passada outra crise de ansiedade deitou nos meus ombros. choro
copiosamente por pessoas que nem existem, porque eu as inventei no meu
imaginário social.

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